Pensei em uma palavra que pudesse exemplificar o que a Dona Lydia representa para mim. Cheguei à conclusão que a melhor, porém não a única, seria a palavra: SERVIR.
Outra como gratidão e também alegria me vêm à mente, sendo que esta última eu pude comprovar não só durante momentos agradáveis com ela ou pelas histórias engraçadas que contava, como também nas fotos em preto e branco as quais mostram sua imagem exibindo um belo e largo sorriso.
Dona Lydia servia a todos com simplicidade, com a gratidão que aprendemos desde cedo e quase não praticamos. Servia com prazer, servia sem pedir algo em troca, servia por servir. A mim buscava agradar pelo paladar e não só assim, é claro, mas seus quibes, sua sopa, o charuto que eu não conhecia e por ela fui apresentado, me enchiam os olhos e a barriga.
O que mais me impressionava na Dona Lydia era sua garra e força quando se tratava de cuidar de toda a burocracia com a papelada e autorizações de exames da tia Neném e da tia Ligia, suas queridas irmãs, quando estavam doentes. Tive a oportunidade de ir e vir com ela em alguns lugares de carro e fiquei surpreso com tantas voltas, com o calor, com as filas e tudo isso ela fazia, muitas vezes, de ônibus.
Para mim sua saúde era inabalável, além de guerreira, era uma dama de ferro que não media esforços para servir. Tirando a taquicardia e o diabetes, que ela administrava da melhor maneira possível, uma gripe ou outra diminuía seu pique, mas não por muito tempo. Talvez seu coração batesse acelerado porque coração de mãe exemplar tem lá suas preocupações e aflições, e no caso dela tinha que impulsionar tamanha vontade de viver e fazer as coisas acontecerem.
Acredito que a troca de papéis não agradou a Dona Lydia. Servir era sua natureza, a sua missão. Tenho por mim que ela não queria ser servida e assim notou que as coisas estavam erradas. Sua essência era de ajudar e não de receber ajuda.
Convoco a todos a instituir o momento que chamarei de o dia da Dona Lydia. Nesse dia devemos nos abster de nós mesmos e cuidar do próximo. Devemos servir a quem necessita, devemos fazer favores, ajudar a um enfermo, fazer algo para tornar o momento de quem ajudamos em uma ocasião única e especial.
Costumo dizer que pessoas queridas quando se vão, viram anjos. Seus olhos se fecharam aqui na terra Dona Lydia, mas suas belas asas se abriram no céu.
Hoje estamos tristes com a sua ausência, mas os que serão servidos no céu pela senhora estão felizes.
Resta-nos agradecer ao Pai por termos sido servidos por uma alma tão bela e tão especial.
3 comentários:
Lindas palavras, Mario. Vc conseguiu tirar lágrimas de quem nem conheceu Dona Lydia direito, mas entendeu quem ela foi e será pelo maravilhoso texto.
Deus te abençoe.
beijos
Marina Dominici
Oi Mário, lendo comentário da Marina tomei coragem para agradecero que escreveu para minha mãe. Tenha certeza que ela está agradecida a tamanha consideração. Essa maensagem tem sido lida diariamente para matar um pouquinho a saudade que tenho dela e também aprender um pouquinho do que ela me deixou: exemplo de amor, gratidão, coragem, fé, alegria e vida! Muito obrigada, Maria Thereza.
Marina,
obrigado pelas palavras e pela visita. Fiquem com Deus e apareça sempre. Beijos.
Thereza,
sei que o momento que você vive hoje é o mais difícil da sua vida, mas tenha fé, o tempo cura tudo. Deus está ao seu lado. Você também é mãe e sabe o que você significa para eles.
Beijos.
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