domingo, 25 de novembro de 2007

Mão amarela


Quinta-feira a tarde estava no trabalho e fui ao banheiro lavar as mãos, uma de minhas manias favoritas. Ao chegar me deparei com o sujeito que deve ter comido urubu com açúcar e tornou o ar daquele pequeno espaço suficientemente carregado ao ponto de se torcer o nariz sem muito esforço, algo como um espasmo, involuntário. O fato é que ele logo saiu e para minha infelicidade outra pessoa entrou no recinto. Não tive nem coragem de fitar a mim no espelho, tamanha infelicidade por estar no lugar errado, na hora errada. O autor da pestilência passaria a ser eu. E olha que eu nem fazia questão do registro de direitos autorais por se tratar de um ataque direto ao meio ambiente. Seria eu um dos milhares que, a cada dia, atacam sem dó, a camada de ozônio. Depois me lembrei que pela manhã ao pegar o elevador em casa para ir ao trabalho, o pequeno cubículo abriu suas portas para mim e ofereceu o que alguém ali deixou. Algo meio podre mesmo e se tivesse cor, certamente seria cinza bem escuro. Porém, já havia preparado logo uma defesa. Ofereceria a quem quer que ali entrasse, minhas mão levantadas com as palmas viradas para meu interlocutor para que ele ou ela (essa última seria bem pior) pudessem ver que elas nem estavam amarelas e que eu não tinha culpa nenhuma se alguém àquela hora da manhã já trazia dentro de si algo tão especial, fedido mesmo, que quisesse compartilhar com seus vizinhos. Para minha sorte o elevador seguiu direto para o térreo.
Olha assumir a culpa pelo pum alheio é o fim, imagine só o que tive que assumir lá no trabalho. Bom, ao menos dessa vez posso dizer que não tenho nada com isso, ou melhor, posso lavar as mãos, de novo. Cada um com suas manias.

2 comentários:

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Adorei essa!!!!!
A gente passa por cada coisa nessa vida... Mas o importante é vc não se sentir só, todos passamos por momentos assim! Por mais desconcertantes que sejam...
Beijos

M M's disse...

Acho que dessa ninguém escapa mesmo. Espero que a próxima demore um pouco. Rs.
Beijos