Minha mente funciona buscando traduzir em palavras o que meus olhos captam e o que minha memória me permite lembrar. Algumas cenas que se desenrolam a minha volta são sistematicamente convertidas em frases. Busco me distrair tentando ordenar palavras para transformar a vida que me cerca em frases. O curioso é que desde que me aventurei a escrever no blog, minha percepção para as coisas em minha volta tornaram-se literárias, talvez poéticas. Letras e mais letras, palavras, frases e idéias para escrever. Sou pescador de lembranças e observador de paisagens, pessoas, gestos e momentos. Sempre me pergunto: como descrever essa cena e esses gestos?, e aí me vejo redigindo mentalmente o que me convém. Muitas histórias e narrativas se perdem no caminho, algumas se materializam e chegam até aqui. 
Foi assim, garimpando a mente que veio a lembrança de que um dia eu tive um jornal.
Foram duas edições.
Tiragem: 72 exemplares por edição.
Tive a idéia e a fiz existir.
O nome do jornal: O Sapãozinho. (não me pergunte de onde tirei essa idéia).
A vergonha de falar sobre isso e sobre um nome tão....... anfíbio: até agora nenhuma. (pelo menos enquanto essa postagem estiver na condição de rascunho).
Tive a ajuda de mais três amigos, mas a arte, a diagramação, os textos, a montagem da página feita em papel A4 que recebia artesanalmente as colagens na frente e no verso para depois tirarmos cópia na loja de produtos gráficos do pai do Alexandre, eram feitas por mim. Para fazer uma média, o espaço publicitário destinado ao nosso patrocinador era generoso. Talvez pela falta de assunto e de idéias. Lembro que havia horóscopo e para todos os signos a recomendação dos astros para o leitor adquirir as próximas edições de O Sapãozinho. (Essa foi idéia do Betinho.)
A distribuição inicial era gratuita, mas um dia iríamos cobrar. Só que o pulo do sapo não seria tão grandioso como achávamos. O Sapãozinho morreu ainda girino.
Aprendi que não devemos usar o espaço de um jornal para rasgar elogios a alguém. Na segunda edição resolvi partir em defesa do porteiro do prédio que agradava a molecada, mas desafiava os demais moradores.
Quando o porteiro foi demitido arrancou todos os tacos da residência do zelador. Saiu pela "porta dos fundos" e me deixou com um sorriso amarelo. Tive que engolir o sapo. Deixei que o Correio Braziliense seguisse sua trajetória sem problemas com a concorrência na Capital.
O que um porteiro não é capaz de fazer.
Se bem que anos depois aqui em Brasília, teve um caseiro que derrubou até ministro.

2 comentários:
Caramba Mário, descobrir essas coisas sobre vc está sendo interessantissimo... de um primo engraçado e pourra louca, vejo hj um primo, homem, pai, sensível, escritor, que está, nada mais nada menos, colocando o seu dom de jornalista/poeta em prática. Vc escreve muito bem, envolve, gera curiosidade e simplesmente me envolve. A M O M U I T O T U D O I S S O kkkk
Prima você é realmente demais. Valeu mesmo pelas doses maciças de incentivo aplicadas direto na veia. Rs. Espero que eu consiga sempre escrever mais e mais. Muitos beijos.
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