domingo, 9 de novembro de 2008

Cem Anos de Solidão

Nos dias e horas de solidão em que me vejo querendo mais do que nunca calar os pensamentos ou ao menos deixá-los de lado, quietos e menos ditadores de rumos, gosto de ouvir música alta. Bem alta se possível. Tenho até hoje em meu velho carro, meu velho toca-fitas com minha velha fita k-7 gravada com o bom e velho Dire Straits. Em alguns desses dias de solidão ouço a música Romeo and Juliet bem alta e mantenho o hábito de muito tempo: ouvir em meu velho carro, a minha velha fita k-7, gravada para mim com o bom e velho som dos caras do Dire Straits. E assim eu vou ouvindo o som bem alto que me leva até um lugar que me aquieta a mente e me acalma, um lugar longe de qualquer problema, dos acontecimentos que independem do acaso e das forças ocultas que teimam em fazer das coisas o que bem entendem. Vou para o lugar aonde as coisas acontecem do meu jeito, com o enredo que eu dirijo, escolho a música de fundo, o melhor lugar, os diálogos que nunca foram ditos cheios de sorrisos fáceis. Ainda bem que em meu celular também posso ouvir os caras do Dire Straits e outras tantas músicas. Meus livros me ajudam a deixar a solidão de lado e a cada lido, novos amigos surgem. Terminei de ler o livro que já havia lido antes, mas não tinha chegado ao fim. O dono na época o levou. Agora completada a leitura, os Cem Anos de Solidão está entre os meus livros preferidos. Talvez eu tenha até me sentido só nesses dias ao ponto de ouvir em meu velho carro na velha fita k-7, a solidão acompanhada com música. Tem dias que a gente escolhe a solidão como companhia e prefere ficar curtindo a melancolia, mas tem dias que a solidão invade as nossas vidas sem pedir licença. Das duas prefiro a que eu tenho escolha e domínio, a que está sob controle, mas aquela que nos rouba o sossego, que parece não ter fim e apavora que fique bem longe de mim e não dure mais que uma música. Que a nossa solidão não dure mais que alguns minutos, que o telefone toque e alguém diga alô. Que esse alguém nos tire para dançar e nos faça esquecer que um dia vivemos momentos assim. Que esse mesmo telefone não nos deixe a ouvir os intermitentes toques de chamada sem resposta quando o pegarmos para ouvir a voz do outro lado, e que essa voz nos tire da solidão. Que não tenhamos medo de apagar as luzes do quarto a imaginar que a solidão nos alcançará nos sonhos e nos roubará o descanso. Que a solidão exista e nos faça crescer, mas que ela não domine nossas mentes ao ponto de entrarmos em um show cheio de gente e ainda assim nos sentirmos sós. Que a solidão não nos faça esquecer a presença de Deus ao nosso lado. Que a minha solidão não me deixe nunca esquecer as inúmeras pessoas que me preenchem a vida pelo simples fato de existirem: meus tesouros que a cada dia me esmero em cativar. Que a solidão esteja somente nas páginas do romance do Gabriel Garcia Márques, e boa leitura. Ainda bem que nunca estamos sós. Assim seja. Apesar de a solidão nos remeter para a tristeza não achei o livro triste. A inventividade do autor e as esquisitices que surgem das histórias que geram outras histórias e trazem mais outras com os seus personagens e fatos que só podem ser fruto da imaginação de um gênio, que escreve de forma tão espetacular que, na minha simples, humilde e discreta análise, só posso admirar tamanho brilhantismo. Que gênio!

Um comentário:

Anônimo disse...

Que a nossa solidão não exista nunca! Dentro de nós existe um coração, e que com ele possamos preencher todos os espaços "vazios" que insistirem em aparecer.
Senti saudade, um vaziozinho talvez (rs..rs...) pena que não atendeu o cel.
Vc é meu escritor favorito, tô doida pra ver esse blog catalogado.
Te amo, ótima semana pra vc.
Malhação, leitura e boas músicas!