Qual o lugar mais longe de casa que você já esteve um dia? Por mais longe que seja me recordo que cheguei lá de carro ou avião e o melhor, estava a passeio, de férias. Não havia fome, mortes, guerra, tiros e bombas. O que impressiona é que os conflitos tribais na África, além das inúmeras mazelas que dizimam famílias inteiras, destroem um país, suas cidades, aldeias e acampamentos, parecem não ter fim, são um eterno começo. Meninos não têm férias. Noites não tem luar. Filhos perdem os pais, dezenas de órfãos se espalham pela selva e viram bichos que matam para comer e sobreviver. Os senhores da guerra e das drogas lucram com o sangue de inocentes, aumentam a produção de armas e munições, multiplicam mentes perturbadas, alucinadas com o poder entorpecente do vício e da desesperança que impulsionam, por sua vez, a grande roda da intolerância. Crianças manipulam armas de gente grande e participam de verdadeiras e assustadoras carnificinas que não são, ou ao menos não deveriam ser, atitudes de gente de qualquer tamanho.Ainda bem que existem pessoas engajadas a resgatarem almas que aparentemente vagam já mortas pelos vales sombrios do abandono da fé e da guerra sem fim.
A reabilitação existe e Ishmael Beah é a prova disso. Passar pelo que ele passou, relatar a dura e cruel realidade que viveu e ainda ter estampado no rosto um belo sorriso, é a maior prova de que a vitória é obra de Deus, materializada por intermédio de anjos humanitários.
A fé na vida após viver no meio da morte e do caos é para mim a prova de que há esperança para tudo de ruim que existe nesse mundo.
Perdão Senhor por julgar que meus problemas são realmente problemas.

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